Tem amores que, quando menos esperamos, passam da linha da realidade para habitarem, unicamente, as lembranças. O começo é difícil; não entendemos como algo que parecia já fazer parte de nossas vidas se afasta tanto.No princípio, alguns “oi” ainda ficam. Alguns encontros casuais: “Tudo bem?”. Depois, tudo vai, gradativamente, virando passado.
E o que fica é uma saudade grande que teima em aparecer, vez em quando. Amores que não vingam deixam marcas. Algumas delas ajudam no crescimento pessoal. Outras, ferem quando tocadas. Amores que não vingam podem vir, simplesmente, para te acompanharem durante uma estação: chegam, trazem alegrias à sua vida, passam um verão ao seu lado e te dão uma quantidade enorme de sorrisos. Entretanto, talvez por motivos muitas vezes incompreendidos, eles se vão. Partem por já terem cumprido sua função: fazer você experimentar gotas de felicidade. Abandonam-te, pois necessitam te mostrar que essas gotas não são eternas, assim como tudo que nos cerca. Eles retiram-se de sua vida para que você prove o amargo, já que o doce só pode ser verdadeiramente apreciado e realmente valorizado se comparado ao fel.
Há amores que não vingam por motivos maiores: os quilômetros entre eles
parecem intransponíveis. Há amores que não têm bom êxito, simplesmente, porque nunca se viram...Às vezes, os amores não prosperam porque não acrescentam algo bom à vida de quem os sente. Pelo contrário, eles trazem amargura, tristeza e uma série de negatividades. Esses sim devem partir sem que causem nenhuma espécie de saudade.
Há horas no dia e momentos à noite, quando o pensamento voa alto, em que paramos para refletir sobre a complexidade das relações entre pessoas: é algo tão confuso e, simultaneamente, simples. É prova de fogo, mas também é recompensa.
Aos que tiveram um amor não vingado, pode-se afirmar que, passado um tempo, a lembrança dele achará um lugarzinho para morar sem que isso te impeça de seguir pelos dias. É permitido, sim, sentir alguma espécie de desgosto pelo que poderia ter sido e não foi. Ou o que poderia ter continuado a ser. Mas esse desgosto dura o tempo necessário para que a própria alma se convença de que já está nova. Novamente.
Avante, companheiro. Amanhã tem sol...
“E eu!
Gostava tanto de você...
Gostava tanto de você...
Não sei por que você se foi... Quantas saudades eu senti...
(...)
E aquele adeus não pude dar...
E eu!
Gostava tanto de você!"
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(Escrito em uma noite de insônia...)







